quinta-feira, 6 de março de 2008


no desfiladeiro a chuva molha a parca terra e faz crescer a planta que abriga insetos que alimentam aves a levar sementes para perto, para longe a fazer nascer mais plantas que abraçam a parca terra com seus braços cheios de vida e morte a chuva molha o chão e se escorregam pequeninas pedras lá embaixo desaparece um homem bom sob a avalanche
a começar em gota d'água

quinta-feira, 22 de novembro de 2007



vento um de beijo


duas horas já faz que uma mulher gritou comigo
queria um retrato de família mas seus dois filhos pequenos não paravam de chorar
lhe sugeri voltasse mais tarde,
gritou.
me pergunto se uma foto pode ser assim obrigada
e deveria brilhar plasticamente feliz em seu retrato a família
à parede
da grande sala
de jantar?
grandes e fedorentas mentiras.



o dia cinza, quase zero graus
frio d’alma
provável nunca tão longe
mas
.


(presença
ausência
reflexos estáticos ou miragens de epifania?


as duas coisas. sempre.)



..

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

cai a tarde na estrada.

o sol avermelhado em si poente
ao horizonte, além da mente
além da dor
tecnocracia surda-muda brotou da terra em rudes braços de metal
engolidos como o mundo pelo púrpura degrade melodramático,
terra seca batida até onde a vista alcança.

a mão que aniquila o sentimento é a mesma da alegria distraída em três milhões de vias cegas
sintomática a tensão:
bifurcação. bem-te-vis. coreto relva nuvens peito-em-flor-de-lis
estereótipo megabyte eletrodos

dançam vultos de cores lascivas dentre as chamas no canto do céu.
pode-se ouvir ruídos cáusticos no ardor em aquarela dos beijos mais dissonantes, do crime mais perfeito
da mais vazia brancazulejada receita de engodo para a loucura

ambições. concessões. decadência
ouro de tolo. ouro de tolo.


meras impressões.
um minuto de egoísta epifania ao pé da via e
rimas pobres. tresloucadas pontuações, figuras de linguagem bastardas


solamiente una tarde de sol.
que acabou.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007







no dia em que eu morrer
quero que escrevam em
vermelho nas paredes do
hospício que se foi um homem bom.




(esforçado)

.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007


a metalinguagem talvez haja falhado,
peço perdão
as intenções foram tão boas cara cobaia

segunda-feira, 17 de setembro de 2007


nao há soluçao porque nao há problema.

nao há sentimento porque nao há.

nao há remordimento.

nao há tensao.

nao há tesao.

solo hay lineas.

sábado, 15 de setembro de 2007



- o pai um adulto frustrado de sonhos moídos queria ser pintor de telas mas bancário. soturno e viciado. e a mãe da menina é toda ela uma outra estória triste,
a professora. abotoando ao rei de paus a fantasia

observamos todos o mesmo espetáculo cruel.
olhares indiferentes e mais um cigarro e um pensamento de hecatombe nuclear surrealista e inéditas as cores de warhol. em preto e branco.
comunistas, hedonistas, hare krishnas
- pão velho, amiga
no quintal de almas entregues reina absoluto o cinza escuro

e ainda assim, além das árvores se passa um carnaval renascentista. coisa linda. único à pequenez de surreais crianças virgens-de-máculas
e cúmplices, valsas lascivas. sem pesar amores dores
reis rainhas príncipes anões duendes xamãs caçadores mosqueteiros cavaleiros e dragões
não são
ainda
humanos
apressados



o caminho pra casa
a confidência ao ouvido:
fada madrinha
espadachim de veneza